Corrico Oceânico Com Lulas Artificiais

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Corrico Oceânico Com Lulas Artificiais

Mensagem por Luiz Jeelyfish - Admin em Seg Fev 23, 2015 5:28 pm

Ola pescadores... irei postar aqui técnicas básicas de corrico oceânico cujo texto de referência é de autoria de Peter Pakula "pai" da invenção das lulas artificiais de corrico oceânico.
Espero que de alguma maneira eu possa estar ajudando os amigos do fórum a descobrir novas técnicas e consequentemente obter mais sucesso nesta modalidade.
Irei postar o assunto em várias partes, já que o material que tenho é bem extenso, tentarei ser o mais claro e objetivo possível, mas se algum amigo tenha alguma pergunta ou sugestão, fique a vontade.
Abraço e boas pescarias!!!


Última edição por Luiz Jeelyfish - Admin em Ter Fev 24, 2015 11:29 am, editado 1 vez(es)
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Parte I - Corrico Oceânico Com Lulas Artificiais

Mensagem por Luiz Jeelyfish - Admin em Seg Fev 23, 2015 5:38 pm

Um atrator móvel

Quando corricamos e usamos lulas artificiais, a velocidade do barco é um dado essencial. Na pesca em grandes profundidades, essas iscas são puxadas a velocidades que vão dos 7.5 ou 8.5 nós, no mínimo, aos 15 nós, no máximo - com as respectivas alterações no que toca ao barulho, à vibração e à espuma que produzem. Todos estes elementos compõem o que se chama o FAD, de 'Fishing Attractive Device', ou Dispositivo de Atração de Peixes.
Muitos pescadores, devido ao preconceito ou às ideias feitas, colocam as suas iscas a distâncias consideráveis, bem para além da esteira do barco, com medo de que a espuma e o barulho do motor assustem os peixes. Mas na pesca aos Dourados e peixes de bico não é assim: a ação de pesca, onde tudo começa, decorre entre a popa e o fim da esteira (a chamada 'Strike Zone'). É aqui que devemos colocar as iscas.

Alguém poderá contrapor: mas também se ferra muitos peixes bem para lá da esteira! Isso é verdade, mas o mais provável é que esses peixes tenham entrado nessas iscas porque se dirigiam para a esteira do barco. E se pensarmos bem, veremos que as nossas hipóteses de ferrar e vencer um destes peixes são bem maiores nas linhas mais próximas do barco, pois esticam menos e fazem menos barriga e menos resistência.
É bem possível que, aos olhos dos peixes, a esteira do nosso barco pareça obra de um enorme cardume de peixes-presa, a fazer espuma à superfície no meio de um frenesi alimentar.
Ou, então, pode muito bem acontecer que os peixes que temos na esteira tenha 'aprendido' a associar o barulho e a vibração do motor à presença de um arrastão a despejar peixe morto, o que significa uma refeição fácil.
Ou, ainda, é possível que os predadores de tamanho médio vejam a esteira como uma boa camuflagem, uma boa área de caça, o que atrai os grandes troféus.
Seja como for, independentemente do que nós possamos achar que os peixes pensam sobre a esteira do nosso barco, a verdade é que ela não afasta, de modo nenhum, os grandes predadores que procuramos. A experiência demonstra o oposto: os predadores maiores têm muito pouco medo e às vezes chegam tão perto do barco que quase lhe dão um encontrão, mostrando-se muito atraídos por ele.

Lendo a esteira
Antes de pôr as iscas na água, vamos diminuir a velocidade do nosso barco para os 7 nós e olhar para o zona do 'strike', a zona entre a popa do barco e o fim da esteira provocada pelo casco.
Logo junto à popa, onde a hélice faz a espuma, fica uma confusão muito grande de bolhas e água que parece branca.
A água branca tem a sua profundidade máxima logo na popa, por ação da hélice. Talvez não seja tão profunda como se possa pensar, e regressa à superfície não muito longe da hélice. Embora pareça água muito espessa, é na verdade água bastante translúcida, deixando passar tanta luz que até há casos de atuns pequenos que atacaram iscas 'mini' nessa água.
Ao longo dos lados exteriores da esteira, há águas como pouca ou nenhuma turbulência: são um excelente local para se pôr uma isca, porque esta ficaria muito visível,mas lembre-se: os predadores estão habituados a perseguir peixes-presa pequenos que estão muito bem camuflados.
Por isso, seja qual for o tamanho e a cor da sua isca, eles vão vê-la perfeitamente, trabalhe ela onde trabalhar, tal como os leaders e os acessórios (rigging).
Olhe bem para a espuma que sai dos lados do barco. É uma espuma muito fina e pouco profunda, formada quase só por bolhas de superfície. Uma isca que seja colocada aqui será mais visível do que em qualquer outra área, porque a espuma vai fazer com que a silhueta dela se destaque muito.
Vamos continuar a esmiuçar este aspecto, começando por focar a ondulação causada pelo casco.


Importante - Local das iscas no corrico
Cada barco faz a sua própria esteira, conforme o formato do casco, a velocidade, o estado do mar e a direção em que se desloca.
Uma boa maneira de manter as iscas na posição em que as queremos é mexer na distância do barco em relação as iscas, por isso lembre-se
- Reduzindo essa distância quando se vai a favor da corrente;
- Aumentando-a quando se vai contra a corrente.


Última edição por Luiz Jeelyfish - Admin em Sab Fev 28, 2015 8:32 pm, editado 2 vez(es)
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Parte II - Corrico Oceânico Com Lulas Artificiais

Mensagem por Luiz Jeelyfish - Admin em Ter Fev 24, 2015 11:24 am

Na primeira parte desta série, vimos como as lulas artificiais podem ser eficazes no corrico aos grandes predadores do alto mar, e começamos a ver as melhores maneiras de aproveitar a esteira provocada pelo movimento do nosso barco.
Ao contrário do que muitos pescadores pensam, a esteira não é uma área da pesca a se evitar e tão pouco afugenta os peixes; pelo contrário, é um excelente atrativo e constitui a zona de 'strike', aquela em que é mais provável ferrar um belo exemplar (embora seja possível ferrar peixes fora dela).
Vimos ainda várias hipóteses para explicar esse fato: os peixes podem ver a nossa esteira como um enorme cardume de peixes-presa, que faz espuma enquanto se alimentam, ou pode associar a esteira a um arrastão a despejar peixe morto, ou pode achar, simplesmente, que a esteira é uma boa camuflagem para caçar...

À nossa popa
Começamos um tema chamado 'ler a esteira', em que procuramos desmontar os diversos efeitos que a passagem do barco e o trabalho que a hélice têm na água e como eles podem condicionar o funcionamento (e a eficácia) das iscas.
Lembre-se: cada barco forma uma esteira diferente da dos outros, conforme o formato do casco, a velocidade, a direção, o estado do mar, etc.
Vimos ainda as diferentes espessuras da espuma ao longo da esteira - e ainda que formamos sempre uma esteira mais comprida quando vamos contra a corrente do que quando vamos a favor.
Vamos ver agora outro dado essencial do corrico com estas iscas, as ondas provocadas pela passagem do barco.


Ondulação e 'janela'
Outro dado existente na zona de 'strike' é a ondulação formada pelo barco, que varia conforme a velocidade de deslocamento, o tamanho e formato do casco.
A distância que se formam, corresponde à linha d’água do barco. Esta ondulação é a parte mais importante da esteira no corrico com as lulas artificiais, pois elas são direcionadas e cuidadosamente colocadas na face da onda que fica mais próxima do barco.
Observando-se mais de perto esta ondulação, o que se nota?
Uma primeira observação mostra que estas ondas são mais largas junto à popa do barco e que depois, à medida que se afastam, ficam cada vez mais finas, acabando por se dissolver no mesmo ponto onde acaba a espuma da esteira.
Depois, também se nota que a parte de cima da onda é mais íngreme, mais vertical, do que a parte de baixo, que é mais plana.
Em seguida, também se nota que a face da onda é muito, muito mais visível por trás do que a traseira - chamamos a isto a 'janela'. Quanto mais próxima a isca estiver da base da onda, maior é a janela e mais visível fica a isca.


A eficácia das iscas
É importante observar que alguns barcos não produzem ondas de pressão, e nesse caso o posicionamento das iscas é mais simples.
Por outro lado, quanto mais mexido estiver o mar, é mais difícil perceber onde é que as ondas se posicionam... Mas com um pouco de atenção e experiência, o pescador consegue distinguir quando é que a isca trabalha corretamente, e por isso, é onde deve colocá-la.
Há muita discussão a respeito das lulas artificiais e da sua eficácia.
A verdade é que, até ao dia em que possamos perguntar pessoalmente a um peixe, nunca saberemos porque é que estas iscas são atrativas para eles!

Ao longo dos anos, podemos perceber porque é que algumas iscas ferram mais peixes do que outras:
- É porque despertam nos grandes peixes os instintos de alimentação ou agressão.
Parece que, no mundo dos predadores, tudo o que passar por perto se movimentando é para comer – ainda mais se for parecido com qualquer coisa que o predador esteja habituado a comer... ou, se der a ideia de estar ferido ou fraco.
O predador parece conseguir calcular instintivamente a diferença entre a quantidade de energia que uma presa poderá fornecer-lhe e a quantidade de energia que terá de gastar para captura-la.
Trata-se de uma resposta natural, que existe em milhares de espécies animais, e não apenas nos peixes: um gato tentará apanhar qualquer coisa que lhe passe por perto, nem que seja uma mosca; mesmo uma criança muito pequena tentará pegar qualquer coisa que vá na sua direção.
Aprendemos que os fatores que contribuem para a eficácia de uma isca são o tamanho, a forma, a cor, a vibração, a ação, a montagem e - claro - um fator muitas vezes esquecido: a necessidade da isca trabalhar numa área onde haja peixe!

O funcionamento das iscas
As lulas artificiais são para corricar na superfície (embora muita da 'teoria geral das lulas artificiais' também se aplique a outras técnicas de pesca).
Quando corricadas na esteira de um barco, estas iscas têm a tendência de trabalhar num ciclo repetitivo.
Quando está trabalhando corretamente, uma isca faz o seguinte ciclo: vem à superfície; 'respira' (ou seja, pega o ar na superfície); mergulha (criando uma longa fila de bolhas de ar, o chamado 'smoking') e depois regressa novamente à superfície, para respirar de novo.
O ideal é que uma isca nunca esteja fora deste ciclo, ou seja, devemos evitar a todo o custo dois erros muito prejudiciais:

- " da isca ficar debaixo de água sem fazer as bolhas de ar;
- " da isca estar fora de água por muito tempo, dispersando o ar que apanhou ('blow out').

Forma e funcionamento
Claro que todos os tipos de isca fazem este mesmo percurso, mas de modo diferente, conforme o tamanho e a forma.
Por exemplo: entre as iscas de cabeça pontiaguda, algumas levam mais ou menos quinze segundos para fazer este ciclo e outras trinta ou mais, mas vale ressaltar que muitas são projetadas para ter trabalhos diferentes, para diversas condições do mar, velocidade, distância, linha, leaders, como nos exemplos a seguir.
Há certas a iscas que vêm à superfície e respiram rápido e discretamente antes de mergulhar; outras fazem um barulho muito distintivo quando chegam à superfície.
Umas afundam como uma chumbada; outras demoram muito mais tempo a ganhar profundidade, fazendo um arco muito comprido.
Umas afundam num movimento muito gracioso; outras abanam a cabeça ou as tiras da saia.
Umas fazem uma esteira quase do tamanho da do barco, cheia de bolhas de ar; outras fazem um risquinho do tamanho de um lápis.


Vale a pena relembrar:
- Como já foi citado, todas estas variações de trabalho dependem do formato da cabeça, do comprimento da isca e, claro, da velocidade do corrico.
- Já o número de vezes que uma isca faz este ciclo durante uma jornada depende do formato da isca, do estado do mar, da velocidade do barco, da posição em que é colocada, da qualidade da linha e, claro, da montagem.
Prosseguimos esta série com um aspecto importantíssimo: a seleção das iscas!
Vamos ver na próxima parte os critérios que iremos aplicar.
Até breve... um grande abraço a todos e boas pescarias!!!
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Parte III - Corrico Oceânico Com Lulas Artificiais

Mensagem por Luiz Jeelyfish - Admin em Qui Fev 26, 2015 11:56 am

Agora que já vimos exatamente onde as nossas iscas devem ficar e o que devem fazer na água, já podemos entrar no aspecto seguinte, o da escolha das iscas.
Normalmente, o pescador toma esta decisão com base nas sugestões de amigos, do vendedor da loja de pesca, no que leu em fóruns ou nos sites dos fabricantes ou, ainda, nas suas próprias preferências, motivadas pelas experiências pessoais.

Mas este processo dificulta a formação de um padrão que seja eficiente na pesca.
Vamos dar um exemplo bem realista: Você ouve em numa oficina que o melhor motor de automóveis é um 1200 a diesel, que a melhor carroceria é a do Hummer, que os melhores chassis são os da Volvo e que os pneus mais resistentes do mercado são uns que a Michelin desenvolveu para tratores pequenos.
Você consideraria juntar estes elementos e tentar construir um veículo?
Cada um deles, separado, é excelente na sua tarefa; mas se tentasse juntá-los, o resultado final seria um desastre.

Mas há mais!

Como se isto já fosse pouco, ao escolher uma isca, muitos pescadores têm a tendência de classifica-las como 'iscas para Marlim azul', 'para Marlim branco', 'para Meca' ‘para Dourado’, etc.
Infelizmente, este método não só é incorreto como também pode estar na origem de muitos maus resultados em sucessivas pescarias.
Um padrão de pesca bem definido é o que se baseia na imitação mais plausível e realista possível daquilo que, efetivamente, se passa no mar: um peixe-presa, que faça parte da dieta habitual do grande predador que procuramos: nadar de um modo que dá a entender que está doente ou ferido, ou seja, que dê a entender que será uma caçada fácil para o peixe, seja um atum pequeno ou um Marlim gigante - que ele irá gastar uma pequena quantidade de energia para fazer sua refeição.


Alimentação
A boa notícia é que os predadores, na sua esmagadora maioria, se alimentam de qualquer fonte de nutrientes que esteja disponível, ao longo de todo o ano e por isso, depois de acertar esse padrão, pode-se pescar em qualquer local do mundo, e qualquer espécie.
Além disso, os peixes-presa das grandes profundidades são bastante semelhantes em quase todas as áreas de pesca oceânica do mundo, mesmo que (devido às migrações) vá sofrendo alterações ao longo do ano.
Percebendo que alterações são essas nas águas aonde pesca, você perceberá quais espécies de peixes-presa estão aonde você está pescando, e assim, será possível escolher a isca de modo mais eficaz, acertando na ação, na cor e no tamanho.
Na verdade, se acertar nesse padrão, até será comum apanhar peixes de bom tamanho fora da época considerada 'normal' na sua região.
Lembrando que com isto, não pretendemos tirar valor a uma decisão que alguns pescadores tomam, quando detectam que na sua região existe uma espécie de peixe-presa muito mais comum do que as outras e que conseguem imitá-la perfeitamente. Nestes casos, investir neste padrão é uma excelente ideia.


Formar um padrão
Para escolher as iscas de modo consistente e adequado, há várias considerações a fazer, como o número de iscas, o tamanho, a forma, a cor e o local onde cada uma delas vai ser colocada para trabalhar.
A primeira decisão a tomar é esta: com quantas iscas podemos corricar e que espessura de linha devemos utilizar em cada uma delas?


A quantidade de iscas
Este aspecto varia muito principalmente quando estamos pescando em águas com grande abundância de peixe ou quando a equipe a bordo (para cuidar do material) é reduzida, o número ideal de iscas é menor do que em áreas onde há muito peixe ou em barcos com tripulações mais numerosas.
Há locais onde muitos barcos corricam apenas duas iscas (e nenhum teaser); e outros locais aonde certos barcos corricam até dez iscas e com nada menos que... seis teasers!
Neste tópico, vamos partir sempre do princípio de que o barco tem cinco iscas no corrico, pois é um número equilibrado para uma equipe amadora (de três ou quatro elementos) cuidar se de repente ferrar um grande peixe.


O tamanho das iscas
Conforme sua espessura, cada linha tem um limite máximo para a isca que será utilizada no corrico devido à regulagem do drag da carretilha ou do molinete, mas não existe um limite mínimo.
E o mesmo vale para as iscas: mesmo uma isca pequena pode-se capturar peixes de qualquer espécie e tamanho.

Um grande predador consegue engolir uma refeição que vá até 20% do seu próprio tamanho. Então, basta olhar para o mercado, para o tamanho das iscas existentes, para perceber o que acontece: mesmo as maiores iscas representam peixes pequenos, que qualquer predador (pequeno, médio ou grande) abocanha sem dificuldade. Por outras palavras: mesmo a maior isca da loja, mesmo a maior isca que tenha a bordo, poderá capturar peixes diversos e até um 'Marlin júnior' de 30 kg.

Abraço a todos e boas pescarias!!!


Última edição por Luiz Jeelyfish - Admin em Dom Mar 01, 2015 12:55 am, editado 1 vez(es)
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Parte IV - Corrico Oceânico Com Lulas Artificiais

Mensagem por Luiz Jeelyfish - Admin em Sab Fev 28, 2015 11:20 pm

Agora neste tópico irei falar resumidamente dos prós e contras dos tipos de iscas mais utilizadas no corrico oceânico.


Iscas para a pesca de peixes de bico
A pesca ao corrico é a técnica mais utilizada nas nossas águas para a captura dos peixes de bico. Outras técnicas, como o corrico com isca viva ou morta, o “bait and switch” ou a muito recente pesca com mosca (“fly-fishing”) têm pouca ou nenhuma expressão nos mares do Brasil.
As iscas são um aspecto essencial do tipo de pesca que praticamos, no entanto e ao contrário da crença habitual, estão, na minha opinião, longe de constituir a variável mais importante. Utilizar material de boa qualidade e em boas condições de manutenção (varas, carretilhas, linhas, anzóis), usar montagens adequadas e saber localizar o peixe distinguem os pescadores bem sucedidos dos que têm “menos sorte”.
É no entanto compreensível a fé que todos temos nas iscas que utilizamos, pois as suas formas e cores constituem um fator importante a que não conseguimos desconsiderar.
O comportamento das iscas na esteira depende da forma, dimensão e peso da cabeça, do ângulo de entrada da linha na água, do posicionamento nas ondas da esteira, da espessura e do comprimento do leader.
Neste artigo vou apenas abordar as várias ações das iscas devido ao formato da cabeça.


Tipos de iscas
Existem quatro tipos principais de iscas, diferenciado pelo formato da cabeça:
-De cabeça ponteaguda ou arredondada (pointed heads ou bullets)
-Côncavas (cupped face ou chuggers)
-De cabeça plana (flat faces ou pushers)
-De cabeça angulada (slant faces).


Iscas de cabeça pontiaguda ou arredondada (pointed heads ou bullets)
São iscas relativamente preguiçosas com um trabalho linear e deixam pouca esteira de bolhas (smoke). São iscas de ação essencialmente superficial, atingindo pouca profundidade. Algumas destas iscas vêm com orifícios (jets), o que melhora ligeiramente a amplitude da esteira.
A sua ação não estimula a agressividade dos peixes de bico, mas, como constituem um alvo fácil, podem ser iscas produtivas quando usadas em conjunto com iscas mais ativas.
Podem ser utilizadas em más condições de mar e também com maiores velocidades de corrico.
Têm o seu lugar na pesca de peixes de bico , mas são provavelmente as menos utilizadas nesta pesca.


Iscas de cabeça plana (flat faces ou pushers)
A forma plana da face faz com que empurrem a água à sua frente, daí derivando a terminologia em inglês: pushers, pois fazem um ciclo regular de vir à superfície e mergulhar a pouca profundidade, sem movimentos erráticos. Deixam mais esteira e têm mais ação que as iscas de cabeça pontiaguda.
São muito estáveis, sendo por isso mais utilizadas com o mar em más condições, com ondas ou vento.
Um exemplo desta isca é a Wide Range da Moldcraft.
As Zuker 3.5 e 5.5 constituem um tipo específico de pushers, já que têm o orifício do leader descentralizado, tendo por isso uma ação mais irregular.


Iscas de cabeça côncava (cupped face ou chuggers)
As Pakulas são o exemplo mais conhecido deste tipo de iscas.
Têm uma ação de cabeça vibratória (shaking) que é eficaz para aguçar o ataque dos predadores.
A ação da cabeça é mais intensa quando estão montadas com sistemas flexíveis, como a “shackle rig” desenvolvida pelo próprio Peter Pakula.
A belíssima esteira que deixam deve-se ao desenho côncavo da parte anterior da cabeça. O ar é retido na concavidade (quando vêm a superfície) e depois é liberado durante a fase de submersão. São iscas muito estáveis constituindo uma boa opção, mesmo em mar mai agitado.
Já mostraram a sua produtividade nos nossos mares (sobretudo as versões Sprocket). Citando um exemplo a Superchugger da Moldcraft detém o atual recorde IGFA.


Iscas de cabeça angulada (slant faces)
Constituem o grupo mais complexo de iscas, com vários subtipos que condicionam diferenças sutis de ação. Exigem mais experiência, quer nas montagens (que as pode desequilibrar) quer no posicionamento na esteira.
Existem vários tipos de iscas com cabeça angulada, sem terminologia adequada em língua portuguesa.
A seguir alguns exemplos mais utilizados deste tipo de isca:

- Plungers
A principal característica destas iscas é atingirem, durante a fase de mergulho, maior profundidade que qualquer outro tipo de iscas (daí o seu nome – plungers – “mergulhadoras”).
São iscas alongadas, em que a relação comprimento/diâmetro da cabeça é superior a 3:1. Para além da face angulada a cabeça apresenta uma ligeiro declive (taper) na zona frontal.
Não deixam grande esteira em virtude de apresentaram uma face de pequeno diâmetro e portanto menor capacidade de retenção de ar, no entanto, como mergulham mais profundamente, são muito utilizadas (e com bons resultados) na pesca oceânica. São também iscas estáveis, trabalhando bem em condições de mar ruim .
Temos como exemplos os Superplungers de Black Bart, Joe Yee ou Marlin Magic .


- Swimmers
Têm uma cabeça de maior diâmetro e menor comprimento que os plungers. Atingem por essa razão menor profundidade, mas têm uma ação mais ativa, com maior splash quando vêm a superfície e fazem uma esteira mais extensa. São boas estimuladoras do instinto predatório, mantendo uma razoável capacidade de ferrar os peixes de bico.
São muito utilizadas na pesca oceânica, mas não se adaptam muito bem a condições de mar ruim. Como exemplos, refiro o Big Blue Cavitator da Williamson (actual recorde IGFA do marlin azul em 80#) e a Fronteira Sagitário. São normalmente designadas por taper baits (devido ao declive na parte frontal da cabeça). Um tipo específico são as pears que, como o nome indica, têm forma de pêra, apresentando para além da face angulada e declive na parte anterior, um segundo declive na parte posterior da cabeça.


Splashers
São iscas cilíndricas, com uma face extremamente angulada. Existem dois tipos principais: os tubos (longos) e os straight runners (curtos). São iscas para mares calmos, sem ondulação significativa. A sua ação é totalmente na superfície, fazendo um “splash” contínuo, o que atrai os marlins. No entanto estes podem atacá-las repetidamente sem ferrar. São exemplos os tubos de Marlin Magic, Joe Yee e D.S. Foo.



Cabeças convencionais (Kona heads)
O nome “sui generis” deve-se ao fato de serem originárias de Kona, Hawaii, ilha onde se desenvolveu a pesca com lulas artificiais. Como se utilizavam velocidades de corrico baixas usavam-se iscas particularmente ativas e com movimentos erráticos, as chamadas “Kona heads”.
São iscas com cabeça de face anterior angulada e côncava e algumas apresentam o orifício descentrado o que lhes dá um comportamento ainda mais espetacular, com movimentos laterais extremos e imprevisíveis. As Kona heads são frequentemente alvo de ataques, devido aos seus movimentos laterais erráticos. As versões mais modernas destas iscas têm uma ação menos agressiva podendo ser utilizadas com velocidades de corrico “normais” (7 a 8 nós).
Continuam a ser iscas que não lidam bem com más condições do mar, devendo ser reservadas para dias com mares calmos.


Conclusão
As iscas constituem o último elo da corrente, já que como vimos os peixes aproximam-se da embarcação em resposta ao ruído dos motores e à visão da esteira liberada pela rotação das hélices e o movimento do barco. A função da iscas é despertar o instinto predatório dos Marlins. Há iscas que pela sua ação errática e agressiva estimulam a agressividade natural destes peixes, no entanto, não há bela sem senão, essas iscas são normalmente as mais difíceis de controlar (sobretudo com o mar em más condições) e as que os Marlins têm maior probabilidade de errar o bote quando atacam.
É aconselhável que os pescadores menos experientes comecem por utilizar iscas de cabeça plana ou côncava. São iscas que permitem uma margem de erro alta, que trabalham bem, mesmo em mares agitados e com montagens menos elaboradas. A utilização das Kona heads ou das iscas de cabeça angulada requerem mais entendimento da técnica e experiência.
Mas... tenha fé, não hesite, coloque sua isca na esteira e desperte o instinto predatório dos poderosos Marlins que frequentam a nossa costa!
Abraço a todos e boas pescarias!!!
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caio.lopes.18

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Re: Corrico Oceânico Com Lulas Artificiais

Mensagem por caio.lopes.18 em Seg Mar 02, 2015 2:19 pm

Parabéns pelo material postado. Muito esclarecedor.
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Parte V - Corrico Oceânico Com Lulas Artificiais

Mensagem por Luiz Jeelyfish - Admin em Seg Mar 02, 2015 6:57 pm

Rendimento máximo - "Teasers"!


Quem não gosta de um “Bom Teaser”? Quem não quer atrair uma maior atenção dos peixes para as iscas de corrico? Não espere mais para utilizar teasers, e aumentar a emoção e exponencialmente o sucesso na pesca aos grandes predadores. Os teasers na pesca oceânica quando utilizados corretamente aumentam eficazmente a sua capacidade para o xeque-mate.
Isto significa que com um pouco de investimento, e técnica, você pode atrair uma maior atenção as suas iscas de corrico e facilmente aumentar as probabilidades de seduzir aquele peixe-de-bico, o tal troféu, com que sempre sonhou. Entretanto, antes que entre em despesas desnecessárias e compre um arsenal de teasers coloridos, considere o seguinte:
Quando você fizer as montagens com iscas naturais ou artificiais com a esperança de atrair o maior e mais resistente combatente dos mares, pergunte a si próprio, que peixe você está tentando capturar, se você está interessado em uma variedade de espécies que estão no topo da cadeia da pesca oceânica, ou procura um predador específico? Não importa qual a fantasia que você tenha. Seja qual for o peixe, em águas azuis e mar aberto, com a utilização dos teasers, suas chances serão maiores certamente irão ajudá-lo a conseguir a duplicar os seus objetivos.


Teasers – Soluções e Opções
Escolher o teaser com o trabalho adequado pode ser uma tarefa desgastante. Quando você preparar a montagem das iscas, procure fazer com que, pareça-se ao máximo, com um cardume em fuga. Em primeiro lugar, deve-se determinar qual o tipo de teaser que se adapta ao seu estilo de pesca e as iscas que tem na água. Não existe nenhuma ciência exata para determinar o que atrai a maior atenção dos peixes. Os grupos de pescadores com alguma experiência, (Capitães profissionais charters), têm os seus conjuntos favoritos pessoais, baseados nas suas experiências específicas, que variam com as condições do mar, a intensidade da luz, das épocas e certamente dos locais onde pescam. No entanto, todos são unânimes e concordam que a chave do sucesso está no uso de teasers colocados próximos das iscas de corrico.


As montagens em linha, "Daisy-chains"
Altamente eficaz e extremamente popular, as “Daisy-chains” imitam perfeitamente a imagem de cardumes em fuga e são utilizadas com rotina por tripulações do mundo inteiro. As “Daisy-chains” são relativamente simples de montar e equipar. Podem ser utilizadas atrás dos barcos, de todos os tamanhos e podem ser arrastadas a velocidades elevadas, médias e lentas. Embora as “Daisy-chains” possam ser montadas e personalizadas às várias aplicações, há duas variações distintas:

– “Bait-chains”, (linhas com isca);


– “Predator-chains” (linhas com isca e predador)


As “Bait-chains” são constituídas por uma série de iscas naturais ou artificiais, com peixes pequenos, montados em linha para imitar um cardume em fuga.
As “Predator-chains” são similares às “Bait-chains“. A diferença é que o última isca natural ou artificial, é visivelmente maior, que as demais.
A teoria é que a isca de maior tamanho, arrastada atrás das menores, imita perfeitamente um predador na perseguição de um cardume em fuga – um cenário do mundo real. Para os peixes de bico famintos, a réplica visual de um cardume de peixes em fuga de um predador, é instintivamente processada, como o toque de um sino para uma refeição fácil.
Os teaers do tipo “Daisy-chains”, podem ser montados e interligados com uma variedade de iscas artificiais, imitações de lulas, farnangaios, peixes-voadores e atuns, nomeando alguns tipos utilizados. Para conseguir no final uma apresentação realista para o predador alvo (life-like), as montagens devem ter iscas com o mesmo tamanho e o mesmo estilo. Se você montar uma variedade dos tamanhos e das cores das iscas na mesma linha, parecerão pouco naturais aos olhos e sensores apurados destes predadores.
Coloque o seu teaser “Daisy-chains” no centro, fora dos cantos do barco, se possível ligado a um grampo central mais curto em relação a popa do barco. É extremamente eficaz e mais produtivo posicionar o teaser “Daisy-chains” próximo do barco – como exemplo, arrastando-o logo ali na espuma de água branca, provocada pela turbulência das hélices e do casco.
Se ainda não deu uma oportunidade ao teaser “Daisy-chains”, uma tentativa pode ser suficiente para ouvir o estridente cantar da carretilha.

Rasto Irresistível, "Spreader-bars"

No Nordeste dos Estados Unidos, um dos teasers favoritos são as “Spreader-bars” (barras propagadoras), que nada mais é do que um conjunto das “Daisy-chains” ou um conjunto de iscas, unidos a uma barra transversal fina. O objetivo deste dispositivo é distribuir as iscas no teaser, abaixo da superfície em forma de V – como uma formação que simula a irresistível imagem de um cardume em fuga de um ataque.

No passado as “Spreader-bars” eram montadas em barras transversais feitas de aço inoxidável de diâmetro mais grosso. Hoje, com as novas tecnologias, os fabricantes usam ligas leves, mais modernas como o titânio que além do pouco peso, oferecem uma maior flexibilidade, durabilidade e longevidade.
Para a “Spreader-bars” trabalhar corretamente deve ter a espessura correta e o peso certo. As “Spreader-bars” são feitas para puxar um grande volume de iscas grandes, com o corrico a velocidades lentas – Tipicamente são barras extremamente duras.
Por outro lado, para um corrico de alta velocidade, a barra é geralmente mais fina e consequentemente mais flexível, já que é projetada para arrastar iscas rápidas e leves, oferecendo um nível de ação adicional, (a barra flexiona e retorna) - ao esticar “puxa” as iscas através do espelho de cada onda.
A última tecnologia desenvolvida para desenhar e projetar um teaser virtualmente indestrutível incorpora o uso de um produto chamado “Lexan”. Além de aumentar a durabilidade, esta inovação, produzida pela G-Tek Lures, oferece também algo sem igual e sem concorrência, não há nenhum equipamento terminal visível. Este avanço na tecnologia da “Spreader-bar” gera muito mais animação e agitação, e atrai mais atenção do que uma barra convencional. É uma grande vantagem para os barcos que não produzem uma “boa esteira”. Para os interessados em seduzir ataques selvagens em mar aberto e águas azuis, as “Spreader-bars” são uma grande opção.

Onde outros não chegam, “Spreader-bars tridimensional"


Uma “Spreader-bars tridimensional", como a conhecida Stripteaser, basicamente assemelha-se a um guarda-chuva onde pode ser montado e adornado por uma larga e variada oferta de iscas. Estes dispositivos de elevada eficácia, são projetados para imitar perfeitamente uma bola de comida, firmemente formada, convidando e instigando os predadores ao ataque.
Ao contrário dos teasers tradicionais que criam tipicamente uma ação sobre a água, ou ligeiramente pouco abaixo da superfície, esta “Spreader-bars tridimensional", funciona efetivamente entre os 90 cm / 1 metro (cerca de 3 pés) e os 2.75 metros (cerca de 9 pés) da superfície, inclusive com um bom número de capitães que adicionam lastro na frente, (um peso adicional tipo torpedo para corrico de profundidade), para uma maior penetração na água.


Disponível em desenhos de quatro, seis e de oito braços ou armações, as “Spreader-bars tridimensional", são geralmente montadas com isca natural, (farnangaios, atuns e tainhas) pelas tripulações profissionais de barcos charters, que fazem um corrico lento para o Agulhão Bandeira, (sailfish). O equipamento pode ser alterado e ajustado para uma maior variedade de aplicações. Imagem
A maioria de nós, “Guerreiros dos Fins-de-Semana”, preferimos montar imitações em silicone do tipo farnangaios, lulas, cavalas, dourados ou tainhas para atrair os ataques. Diversas empresas oferecem as mesmas iscas para os teasers, em papel holográfico que vêm já pré-montados, permitindo simplesmente desdobrá-los e usá-los. De uma ou de outra maneira, são teasers com eficácia comprovada em pequenos e em grandes barcos, apresentando um notável número de ataques.
Quando os teasers provarem a sua eficácia com os peixes-de-bico, não há nenhuma razão para que com um pouco de imaginação, eles não possam ter o mesmo efeito com os Dourados, Cavalas Wahoo e Atuns.


Descubra e invente um teaser. Crie uma alternativa para o seu tipo de pesca; quem é que sabe o que você pode instigar a atacar as suas iscas? Imagine a surpresa!

A Simulação perfeita


A isca natural (viva ou morta, morta deve ser fresca) é preferida por alguns capitães mas, muitas vezes, com a isca natural é difícil de conseguirem-se atrair ataques, e é exatamente quando as iscas artificiais mostram-se eficientes e devem entram no grande desafio de atrair os peixes e mudar o rumo da pescaria.
A empresa Carolina Lures têm alguns modelos de teasers que imitam com perfeição peixes-voadores, que irritam e provocam agressivos ataques dos grandes predadores. Montados em série, imitam perfeitamente os voos dos peixes, pois saltam realmente ao longo da superfície, e o chapinhar provoca vibrações na água, num jogo frenético de saltos e batidas na flor d’agua.
A empresa Tactical Tackle fabrica o conhecido “Dancin' Dolphin”, uma imitação em matérias moles de um “Dourado”. Outras marcas fabricam teasers do tipo "Pinos de Boliche", muitos com espelhos para provocar flashes na água. Ambos podem ser arrastados a uma velocidade media de 10 nós.


Ao decidir-se como equipar seu teaser, lembre-se que as opções são quase infinitas. Você ainda pode adicionar uma bola tipo “Boogie Ball Disk” para provocar maior ação, adicionando um rasto de bolhas que simulam uma fuga.


Também pode-se tentar irritar e provocar um ataque, ao puxar e largar sucessivamente (feito por um elemento da tripulação), uma linha com iscas artificiais de peixes pelágicos. Se seu sonho é ver na superfície aquela barbatana ou pretende provocar um ataque de um grande Marlin azul, o “Dancin' Dolphin”, pode ser a resposta.
O teaser mais famoso do mundo, “The Fish Fender” produzido pela Mold Craft, é uma defensa, grande (para atracar os barcos), enfeitada com uma pintura super resistente.


Montado com um lastro na frente, (peso no bordo frontal), os mais experientes e sérios pescadores oceânicos, quando estão na procura dos grandes peixes-de-bico, dizem a “The Fish Fender”, deve estar lá!
Quando falamos das opções a respeito das imitações de isca natural viva, os produtos da Williamson Lures feitas em matérias moles são líderes. Tainhas, cavalas, dourados, lulas, farnangaios, atuns só tem que escolher o model. Para trabalhar no azul profundo, as imitações da Williamson Lures, são perfeitas.


Sempre com Ataques
De todos os teasers existentes no mercado, nenhum se assemelha mais a um cardume nadando erraticamente de atuns juvenis, como os excitadores de “Pinos de Boliche” rodando perfeitamente. Estes teasers geralmente funcionam entre os 30 cm (cerca de 1 pés) e os 90 cm / 1 metro (cerca de 3 pés), abaixo da superfície e criam invariavelmente uma ação simulada de vida por baixo da esteira (spread).
Muitos pescadores e equipes de sucesso, preferem utilizar uma combinação de pinos pequenos seguidos por um maior para criar a tal ilusão de uma “Predator-chains”.

Os teasers tipo “pinos de boliche” estão disponíveis em vários padrões de cores onde se incluem os tons de Dourados e Bonitos, entre outros tons que em nada se assemelham a nada, que nadam nos oceanos, contudo com provas dadas, atraem ataques agressivos.
Ao montar o teaser com “pinos de boliche”, use mono filamento, nunca com menos do que 400lb., e descentralize os pinos, para que trabalhem separados em cerca de 50 cm (cerca de 18 polegadas), entre cada, para evitar enroscos desnecessários.
Para melhores resultados, amarre a sua linha de “pinos de boliche” em um dos cantos do barco, e amarre-os bem, de preferência a um dos cunhos, pois a ação criada por este excitador é furiosa e muito forte para segurarem ou serem recuperadas com carretilhas.


O maior dos maiores!

Ao imitarem perfeitamente Bonitos e Atuns juvenis, estes teasers criam uma fuga irresistível, nadam com uma pressão assombrosa com movimentos provocadores e deixam um rasto de bolhas irresistíveis aos predadores. Ao entrar um peixe na esteira, quando for puxar para tirar da água um deste “mack-daddy’s”, deve ter somente uma coisa em mente – é um peixe gigante! Se um marlin monstruoso está perseguindo o seu teaser gigante, é bom que tenha uma isca grande preparada para o ataque!


Como pescar com Teasers
Não há o que negar nem esconder, que os teasers utilizados hoje na pesca oceânica criam um grande rasto e provocam muitas vibrações. Ao retirar da agua teasers como as “Daisy-chains” e as “Spreader-bars” de tamanhos pequenos e médios, você pode fazê-lo com carretilhas de 50 lbs, montados perto do seu posto de comando.


No entanto, se usar teasers maiores e mais pesados, como as “Spreader-bars tridimensionais”, deve-se montar em carretilhas de alta performance para os recolher, recomendam-se carretilhas de 80 lbs.

Os teasers gigantes como as “The Fish Fender”, os “Pinos de Boliche”, o "Witchdoctor Teaser" da Pakula ou outros de tamanhos gigantes, recomendam-se que sejam amarrados aos cunhos dos barcos, como a melhor opção.

Até a próxima....
Abraço e todos e boas pescarias!!!
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Luiz Jeelyfish - Admin
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Parte VI - Corrico Oceânico Com Lulas Artificiais

Mensagem por Luiz Jeelyfish - Admin em Qui Mar 12, 2015 6:27 pm

Leaders na pesca Oceânica
Os chamados terminais (“leaders” na terminologia inglesa) têm uma importância crucial em qualquer tipo de pesca.
Na pesca oceânica os leaders têm de possuir, além de resistência à ruptura, capacidade de resistir à abrasão que resulta do contato com o bico ou a boca e o flanco do peixe durante a luta.
O comprimento do leader deve ter no mínimo o comprimento do peixe que se pretende capturar (por exemplo mais curto para peixes menores como o Dourado do Mar, Marlin Branco e maiores para o Marlin azul), evitando-se assim o contato do peixe com a linha principal. Cito o exemplo de que na pesca ao Marlin os leaders, segundo as regras da IGFA não podem ultrapassar os 9,14m (30 pés) em linhas acima de 10kg (20 libras).

Leaders “clássicos” e leaders “wind-on”
Um leader clássico é constituído por monofilamento de nylon ou, mais raramente, fio de aço. A espessura do leader deve variar com o tipo do material, de isca e o tipo de peixe que se pretende capturar.
No sistema “wind-on” o leader é mais complexo, sendo constituído por uma união de multifilamento oco (Dacron ou Spectra) com monofilamento de nylon ou fio de aço.

A- ansa em multifilamento que se conecta a linha dupla;
B- fixação do “wind-on” na zona onde o monofilamento entra no Spectra;
C- Spectra com monofilamento no interior;
D- Monofilamento :
E- Destorcedor


A resistência do “wind-on” resulta do efeito de “aperto chinês” ou “chinese finger”, em que, quanto maior a pressão exercida, mais forte é o efeito de pressão do multifilamento sobre o monofilamento.

Esta particularidade implica que haja no mínimo um ponto a menos de fixação do “wind-on”.
Esta fixação faz-se habitualmente no local onde o mono penetra no multifilamento. É preciso estar atento ao bom estado deste ponto de fixação, que é feito utilizando fibra de baixo diâmetro ou o chamado “fio encerado” ou “waxed thread” na terminologia inglesa.
Vejamos algumas vantagens do sistema “wind-on”


Segurança
A conexão de um terminal clássico à linha dupla faz-se habitualmente através do destorcedor com mola (snap swivel). As dimensões do destorcedor impedem que a linha do leader passe pelos roletes da vara, o que significa que, no caso de se pretender marcar ou capturar um peixe de bico, o terminal tem que ser recolhido manualmente. Esta é provavelmente a parte mais arriscada da captura, dada à possibilidade real de alguma espiral do leader se prender num braço ou perna do “leaderman” ou de outro integrante da equipe. A maioria dos acidentes ocorridos durante a pesca ao Marlin (alguns fatais) deve-se a casos de enrolamento do “leaderman” no leader, com a subsequente queda ao mar e afogamento, caso não seja possível à libertação ou corte da laçada presa.
Para conectar o “wind-on” à linha dupla utiliza-se um girador, tipo “catspaw”. Este tipo de união, de baixo perfil, permite a passagem do nó pelos vários roletes da vara tornando possível enrolar o “wind-on” na bobina da carretilha e assim trazer o peixe até mais perto da embarcação antes de ser necessário agarrar no leader. Para ser bem sucedido é por vezes necessário aplicar mais pressão na carretilha após o “wind-on” dar uma ou duas voltas na bobina da carretilha. Alguns pescadores fazem-no pressionando o polegar na bobina. Outros aumentam a pressão da embreagem ou freio. A “técnica do polegar” parece vantajosa porque permite aliviar imediatamente a pressão em caso de reavivamento com tentativa de fuga do peixe capturado. A inexistência de espirais de terminal “flutuando” por todo o lado é um fator a mais na segurança da pescaria.
No caso de não ser possível trazer o peixe até à borda do embarcação apenas com a ajuda da vara, procede-se de acordo com a metodologia convencional, ou seja manejando manualmente o terminal por um dos elementos da equipe, o “leaderman”. Neste caso, é importante que o pescador continue a enrolar o terminal na carretilha sempre que o “leaderman” consiga recolher alguma porção do mesmo, tomando sempre atenção para que nenhuma espiral se enrole na ponteira da vara. Durante esta fase a embreagem da carretilha deve estar relativamente aliviada, de forma a não “trancar” o “leaderman” entre o peixe e a vara.


Manter a mesma pressão sobre o peixe não o afugentando
Durante um combate prolongado o Marlin vai-se adaptando à pressão exercida pela vara/carretilha/recolhimento. Frequentemente nesta fase final do combate, quando o “leaderman” agarra no terminal, observar-se um reavivamento do peixe. Pensa-se que esse reavivamento se deve à forma como o “leaderman” exerce pressão quando puxa o terminal. Os melhores “leadermen” tentam ser pouco bruscos nos movimentos de forma a não provocar uma reação súbita do peixe. A utilização do terminal “wind-on”, mantendo pressões semelhantes, permite trazer o peixe muito mais perto sem induzir uma reação e novas tentativas de fuga.


Economia e maior facilidade de arrumação
Não conheço nenhum pescador de marlin que não tenha uma coleção de algumas dezenas de amostras.
Não é fácil nem econômico montar, arrumar e evitar enroscos nestas iscas quando se utilizam terminais que podem atingir cerca de 9 metros.
No sistema “wind-on” cada vara tem o seu leader, que fora da ação de pesca se encontra enrolado na carretilha. Cada isca montada tem apenas 1,5 a 2m de linha de terminal, sendo a sua arrumação muito mais fácil e os enroscos menos frequentes.
Caso se utilizam linhas de fluorcarbono, a redução das despesas com linha de terminal pode ser muito significativa.

Recolha das linhas durante a ação de pesca
Em caso de uma ferrada e corrida do Marlin durante o corrico, é necessário recolher o mais rapidamente possível todas as outras varas.
Quando se utilizam terminais de vários metros observa-se, nesta fase de grande excitação alguma confusão, com linhas, iscas e respectivos anzóis espalhados.
Com o sistema “wind-on” apenas 1,5 a 2 metros de leader não ultrapassam os roletes ou passadores da vara.
É assim possível, nesta fase de grande adrenalina, enrolar praticamente todo o leader deixando as iscas penduradas no exterior do bordo da embarcação. O comprimento da porção de terminal conectado à isca deve ser suficientemente comprido para a mesma não ficar a balançar contra o bordo e suficientemente curto para não se enfiar debaixo do mesmo.
Quando todas as linhas estiverem recolhidas é possível então proceder à arrumação das varas, prendendo-se os anzóis das iscas a um dos passadores ou a carretilha, tal como se pode ver na figura.


Desvantagens do sistema “wind-on”
1- Maior probabilidade de ruptura
Não pode haver qualquer dúvida que quanto mais emendas forem utilizadas, maiores são as probabilidades de ruptura. É indiscutível que um “wind-on”, mesmo de boa qualidade, tem sempre maior probabilidade de ruptura que um terminal clássico. A resistência de um “wind-on” de boa qualidade é no entanto muito semelhante à de um terminal clássico.

2- Risco de enrolamento do terminal na ponteira da vara
No caso de grandes Marlins pode não ser possível, apenas com a utilização da vara, “técnica do polegar” ou aumento das pressões da embreagem, recolher o “wind-on” na bobina da carretilha. Nestes casos, deve-se agir da forma convencional, ou seja o “leaderman” deve agarrar a linha do terminal e puxar o peixe como se tratasse de um terminal clássico. Não é demais repetir o que se disse atrás. Nesta fase é fundamental que o pescador que manuseia a vara tenha o cuidado de aliviar a pressão da embreagem da carretilha e de ir enrolando o terminal na bobina, de forma que, em caso de fuga do peixe, não se enrole nenhuma espiral na ponteira da vara, com consequências materiais desastrosas (provável quebra da vara), podendo mesmo ocorrer risco para a integridade física de quem manuseia a vara.

3- Visibilidade do destorcedor
O destorcedor no sistema “wind-on” encontra-se a cerca de 1,5-1,8 m da isca. Na pesca ao Marlin este aspecto não oferece desvantagem de montagem, dado que a visibilidade do destorcedor perto da isca não parece afugentar este tipo de peixe. Na pesca de outros peixes, como o atum, este aspecto deve ser tomado em conta.

4- Complexidade técnica
A construção dos “wind-ons” obedece a técnicas específicas, que embora ao alcance de qualquer um, exigem alguma destreza, bons materiais e equipamento auxiliar específico.
Há uma curva de aprendizagem que se ultrapassa com alguma persistência, sendo que existem inúmeras empresas que produzem estes terminais.
Os melhores “wind-ons” atualmente existentes são feitos pela Basil Pappas em fibra Spectra, mais resistentes e com perfil mais baixo que o Dacron. Infelizmente só estão disponíveis para venda nos Estados Unidos. No entanto podem ser importados (atenção com as taxas e impostos) por encomenda on-line.

Conclusão
Ame-os ou odeie-os. Não há meio termo no que respeita a “wind-ons”. Grandes pescadores como os Caps. Roddy Hays, Bart Miller ou Fred Archer defendem a sua utilização, essencialmente por questões de segurança. Outros, como Peter Pakula, pura e simplesmente detestam-nos. Perceba os prós e os contras e tome a sua decisão. Se os utilizar, assegure-se que são de boa qualidade e que compreende os aspectos de segurança na sua utilização.

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Re: Corrico Oceânico Com Lulas Artificiais

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